Ninguém jamais imaginava assim. Quando ela deslizou, toda cor-de-rosa, pelo caminho que levava ao seu homem, nada além importava. As lágrimas derramadas, as fugas inventadas, as contas acumuladas. Tudo já se foi. É tão bonito quando a gente vê no hoje um porquê metafórico para os dias anteriores. É quase lógico; é circular.
Quatro vidas inclusas no mundo pela mulher cor-de-rosa. Vidas fortes e ricas são essas que, enquanto as vozes ecoavam canções vibrantes, se uniam para ver passar o seu berço esplêndido. Lágrimas ainda, sim, mas pela salada. A salada que leva orgulho, saudade, medo e uma essência de amor. O desabafo é a gosto. Se pedissem para um especialista da mente humana explicar o modo de preparo talvez ele deixasse a desejar. Mesmo que ele fosse metido a mestre cuca. As duas vidas mais antigas, sim. Essas sabiam como era feita a salada.
Quando foi hora do banho de pétalas brancas, a que bela cena os convidados assistiram! Para as duas vidas mais novas havia a alegria de quem ganha um novo presente, uma nova surpresa, um doce diferente. Para as duas mais antigas, a certeza de que a vida não é mesmo tão reta. A sensação de que a infância é mesmo uma página de cor diferente da página em que se está. Mas, afinal, a diversidade do livro é tão bonita...
Para a mulher cor-de-rosa... Ah! Para ela a vida recomeçava; o amor tinha mandado um torpedo dizendo: “Ei! Eu posso existir de novo, sim!”.
Como é adorável (e misterioso) esse livro circular.
terça-feira, 27 de maio de 2008
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