terça-feira, 27 de maio de 2008

Círculo de cores

Ninguém jamais imaginava assim. Quando ela deslizou, toda cor-de-rosa, pelo caminho que levava ao seu homem, nada além importava. As lágrimas derramadas, as fugas inventadas, as contas acumuladas. Tudo já se foi. É tão bonito quando a gente vê no hoje um porquê metafórico para os dias anteriores. É quase lógico; é circular.

Quatro vidas inclusas no mundo pela mulher cor-de-rosa. Vidas fortes e ricas são essas que, enquanto as vozes ecoavam canções vibrantes, se uniam para ver passar o seu berço esplêndido. Lágrimas ainda, sim, mas pela salada. A salada que leva orgulho, saudade, medo e uma essência de amor. O desabafo é a gosto. Se pedissem para um especialista da mente humana explicar o modo de preparo talvez ele deixasse a desejar. Mesmo que ele fosse metido a mestre cuca. As duas vidas mais antigas, sim. Essas sabiam como era feita a salada.

Quando foi hora do banho de pétalas brancas, a que bela cena os convidados assistiram! Para as duas vidas mais novas havia a alegria de quem ganha um novo presente, uma nova surpresa, um doce diferente. Para as duas mais antigas, a certeza de que a vida não é mesmo tão reta. A sensação de que a infância é mesmo uma página de cor diferente da página em que se está. Mas, afinal, a diversidade do livro é tão bonita...

Para a mulher cor-de-rosa... Ah! Para ela a vida recomeçava; o amor tinha mandado um torpedo dizendo: “Ei! Eu posso existir de novo, sim!”.

Como é adorável (e misterioso) esse livro circular.

3 comentários:

Luysa disse...

"E isso tudo saiu dessa cabecinha?"

LINDO, LINDO... ADOREI, ADOREI.

Sério A.S. Vamos continuar nesse ritmo: tu escrevendo, eu divulgando e assessorando (e claro, sentido orgulho).

:)

Unknown disse...

...e a vida mais antiga carrega no coração uma roseira ilegítima, sem espinhos. Só traz consigo pétalas perfumadas de lua.

Nada menos do que "digna de ser amada".

mabel disse...

tem uma lágrima escorrendo no cantinho do olho ;~