É moda dizer que se tem os pés no chão. Pelo menos é o que eu ouço muito por aí! Realismo de forma - por que não - brutal em todos e em tudo. Tudo bem que manter os pezinhos bem apoiados não faz mal a ninguém...muito pelo contrário! Mas achar que, para isso, é necessário que todo o resto do corpo seja de pedra e cal, é demais. É preciso um pouco de auto-enganação, ora.
Quando um tal falou em se enganar quis dizer utopia, só que em palavras mais simples. É, utopia mesmo. Não apenas aquela que nos faz sonhar com o futuro ou almejar isso, aquilo, aquele. As minhas lentes garrafais traduzem essa utopia como aquela que também nos faz acreditar. E não...por favor, não pensem que isso se resume à religião - estaríamos, então, excluindo os ateus de qualquer enganação.
A utopia de que falo aqui é uma tal que nos faz conservar a infância, pegando carona com ela, certas vezes. Sabe aquele brilho que criança põe em tudo o que vê? Presumo que muitos crescidinhos ficam sem estoque de brilho depois que descobrem que Papai Noel é pura imaginação. Cuidando para não usar demais e ofuscar a realidade, todos precisam de um pouco dessa luz nos olhos, sim, caso as lentes não prestem. A auto-enganação pode ser a única forma de a gente ver o mundo com alguns políticos de boa fé e pessoas altruístas de verdade. E não digo aqui com ironia!
Fico realmente exausta quando vejo gente que adora espalhar teorias desmitifcadoras por tudo quanto é lado.
Agora, tirando os olhos do lado político-social e viajando pra algo mais infantil, mas não menos importante: os desenhos animados. Quem nunca ouviu falar que os smurfs eram, na verdade, chapadinhos, assim como o Salsicha, amigo do Scooby? Há também quem diga que o Popeye foi só uma estratégia do governo norte-americano e que a Olívia estava a ponto de morrer por distúrbio alimentar. Ai, ai...que "conspiratólogos" mais chatos.
Tá. Eu sei que El Che não foi tão longe quanto quis ser livre para se enganar - até porque ele não teve acesso às contemporâneas teorias desmancha-prazeres - mas o princípio de que tudo precisa de um brilho, uma utopia que transcende o realismo bruto, isso sim se leva. Ponto. Pego carona com o comunista sonhador e digo: me recuso a perder a liberdade de dizer que os smurfs eram belos anõezinhos azuis e que o Salsicha era apenas um investigador com um medo infantil! E que os teóricos apocalípticos sirvam-se de lentes mais cintilantes.

4 comentários:
Olá Srta. Amanda...
Excelente texto.
Concordo em gênero, número e grau.
A realidade por si só - nua e crua - é fria e incompleta. Lentes que agreguem, à realidade, o valor emocional que ela tem e que existe dentro de cada um de nós, é a melhor saída para fazer a vida valer a pena.
=]
Oi, blog! =)
Vamos ser amigos? Você tem uma cor bonita e palavriado interessante!
Campanha nº 1:
Amanda, volte a postar no blog!!!
:)
Olha, te confesso que minha lente é polida. Qualquer solzinho e ela já reflete um raio tão forte que é capaz de fazer os outros terem que usar lentes, também. Muito legal o pensamento, muito legal o texto. Eu acredito que os Smurfs eram apenas anões azuis. Eu acredito que o Salsicha era chapado. Chapado de medo. Eu acredito até que o Mestre dos Magos não tinha ligação com o lado do mal. Aliás, depois de ter aula com ele, me certifiquei de que ele é uma boa pessoa. Uma das pessoas mais sábias foi esse tal do Ernesto. Ele sabia que era necessário resistir a tudo o que o mundo impusesse. Ele sabia também que não podia perder a "ternura". Ele sabia demais. Ele usava óculos.
Agora, só uma coisa.
Como assim "papai noel é pura imaginação"? Tu tá de palhaçada, né? NÃO ENTENDI ESSA PARTE! :~~~~
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